A Imprensa Alternativa no Brasil

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Segundo o jornalista Bernardo Kucinski, podemos definir a Imprensa Alternativa por meio de quatro significados essenciais: ”o de algo que não está ligado a políticas dominantes; o de uma opção entre duas coisas reciprocamente excludentes; o de única saída para uma situação difícil e finalmente, o desejo das gerações dos anos 60 e 70, de protagonizar as transformações sociais que pregavam”

”Jornalista e Revolucionários”, de Bernardo Kucinski, obra referência sobre a Imprensa Alternativa do Brasil

O desejo de transformar a sociedade brasileira floresceu após o fatídico golpe militar de 1964. Com a censura instaurada nos grandes veículos de comunicação, o governo mantinha sob controle toda a produção midiática nacional. Os grandes jornais eram um porta voz não oficial dos militares.

Apesar da repressão, alguns jornais da grande imprensa batiam de frente com o governo, como no caso do Correio da Manhã. O periódico carioca foi o único a se manisfestar contra o regime militar. Como consequência, ele foi fechado, e seus chefes e redatores presos por diversas vezes.

O Correio da Manhã, contava com uma gama de jornalistas, intelectuais e escritores de renome, como: Otto Maria Carpeaux, Antônio Callado, Márcio Moreira Alves, Lêdo Ivo, entre outros. De todos estes, o mais importante era o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade.

Em uma de suas crônicas, publicada em 1966, o poeta utiliza de forma irônica a música, “A Banda “, de Chico Buarque, (vencedora do I Fesival da Canção), o grande hit do momento, para cutucar a ditadura e os militares. Leia a crônica.

A partir de 68, com a instauração do AI5, (Ato Institucional n 5), o cerco se fechava mais ainda para a imprensa. É aí que surgem os  jornais alternativos no Brasil

A Onda Alternativa

Os ”Anos de Chumbo”, como ficou conhecido o período pós-1968, foi o cenário do surgimento da Imprensa Altenativa. Cenário marcado pelas torturas, exílios, desaparecimentos, perseguições e atentados.

O jornalista vivia sob terror. Nas redações, além dos editores e repórteres, surgia um novo cargo, o censor. Era o censor quem estabelecia se a matéria seria publicada ou não. Mesmo com a maré totalmente contra, foi neste período que o jornalismo brasileiro vivenciou seus tempos áureos.

Naqueles anos, os jornais eram criados na calada da noite, às vezes, de maneira bem precária. Eram utilizados os ultrapassados mimeógrafos para reproduzir os jornais.

Os periódicos: Última Hora, Movimento, Opinião, Flor do Mal, Em Tempo e O Pasquim, revolucionaram o modo de se fazer jornalismo no Brasil.

Este último, O Pasquim, tavez seja o pricipal e mais conhecido veículo da imprensa altenativa. Para se ter uma ideia, no início dos anos 70, o jornal carioca tinha uma tiragem superior a 300 mil exemplares. Números invejáveis até nos dias de hoje.

O Pasquim, um fenômeno editorial da Imprensa Alternativa

Engajados X Desbundados

A imprensa alternativa compartilhava de um sentimento de brasilidade revolucionária. Sentimento influenciado pela revolução cubana e pelos livros e pesnsamentos de Jean-Paul Sartre, Regis Debray e Hebert Marcuse.

Apesar do sentimento em comum, a intelectualidade jornalística acabou se dividindo. De um lado os engajados, defensores de uma revolução socialista, seja ela por armas ou pelo engajamneto político. Estes se limitavam a reproduzirem as vozes oficiais dos grandes partidos de esquerda.

De outro, os adeptos da contracultura, do pensamento Underground. Os ”desbundados”, como eram chamados pelos engajados. Eles se posicionavam  a favor de uma grande mudança, não só na esfera política, uma mudança comportamental.

Mudança que atingia a todas as esferas da vida. Relação familiar, política e amorosa. Podemos conceituar a contracultura, de maneira vulgar, como uma mescla do pensamento marxista com o pensamento freudiano.

A Imprensa Alternativa hoje em dia

Com o movimento das Diretas Já e a abertura política dos anos 80, a Imprensa Alternativa entrou em crise. Ela perdia seu principal alvo editorial, o governo militar.

Nos anos 90, aconteceu uma tentativa de reerguer a Imprensa Alternativa. A revista ”Bundas”, idealizada pelo ex-Pasquim, Ziraldo, fazia uma abordagem irônica de toda sociedade. Mesmo assim, ela não engrenou, extinguindo-se poucos anos após seu lançamento. 

”Bundas”, tentativa de retomada da Imprensa Alternativa

Para alguns estudiosos do jornalismo, a Imprensa Alternativa já acabou há muito tempo. Mas, com o crescimento da internet, por meio de blogs, home pages e redes sociais, surge uma nova esperança para aqueles que procuram informações diferentes das veiculadas  pelos grandes jornais.

”Hoje não há imprensa alternativa, o que existe é a mídia alternativa, a partir dos lançamentos dos sites, blogs etc. Acho muito difícil se conseguir traduzir em termos contemporâneos as experiências dos anos 60 e 70”, Alberto Dinnes (Observatório da Imprensa)   

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2 comentários sobre “A Imprensa Alternativa no Brasil

  1. Viva a nossa imprensa alternativa, é de fato a única imprensa livre que possuímos. Pois não está vinculada a nenhum interesse político ou econômico que visa atrelar e tutelar o jornalismo brasileiro. O fim da Lei 5.250 (Lei de Imprensa), ao contrário do que se pensa não representou o fim da mordaça, já que o mesmo STF que a revogou tirou a obrigatoriedade do diploma de jornalista, uma incoerência.

  2. A condenação arbitrária do STF de determinados elementos da cúpula petista, levados pelo clamor e pressão da imprensa golpista, demonstra a necessidade urgente de uma imprensa/mídia alternativa no Brasil.

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