Flavio Fachel – jornalista da Rede Globo fala como chegou lá

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Flavio Fachel é correspondente internacional da Rede Globo e apaixonado pelo Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, ser jornalista não era sua primeira opção, antes disso tentou vestibular para Publicidade e Propaganda e cursou Engenharia Civil, serviu o Exercito na Amazônia até trocar a Engenharia Civil pelo Jornalismo em Manaus.

Você cursou quatro anos de Engenharia Civil e serviu o Exército no Amazonas. Nos fale, como surgiu o gosto pelo jornalismo?

Eu terminei o 2º grau com 16 anos. Na época, queria fazer vestibular para Publicidade e Propaganda, mas a procura era muito grande: eram 16 por vaga. Não consegui ser aprovado e fui fazer engenharia civil. Estudei até completar 19 anos, quando fui voluntário para o CPOR.
Depois de terminar o serviço militar obrigatório, passei ainda mais 4 anos servindo ao Exército, desta vez em Manaus, AM. Ao ir para lá, aproveitei para transferir meu curso (quase completo) de Engenharia para Comunicação. E como não havia PP lá na Universidade do Amazonas, acabei me matriculando em jornalismo. Foi assim que tudo começou.

E como surgiu à oportunidade para começar a trabalhar na televisão, foi um veiculo que você sempre teve desejo em trabalhar ou já foi à primeira oportunidade que apareceu?

Passei a gostar de televisão durante as aulas de telejornalismo. Em contato com a tecnologia disponível na Zona Franca de Manaus, foi fácil pra mim comprar minha primeira câmera. Antes de me formar na UA, decidi voltar para Porto Alegre. Queria me formar na Famecos (PUCRS), que é uma das melhores faculdades de Comunicação do país. Lá, tive contato com vários profissionais que também atuavam na RBSTV. No fim do curso, consegui ser aprovado para o projeto Caras Novas da RBS, que visa revelar novos talentos para a TV. Depois de 5 anos, fui chamado pela TV Globo para ser correspondente na Amazônia, onde fiquei por 2 anos antes de ser convidado a trabalhar no Rio de Janeiro.

Este ano você virou correspondente da Globo em Nova York, como está sendo a experiência e o que aconselha aos estudantes de jornalismo para poderem chegar no mesmo nível em que você está?

A experiência é sempre interessante. No fundo, não há muita diferença no trabalho. Mas os desafios são bem maiores. É preciso estar sempre atento para ver as notícias do ponto de vista dos brasileiros. É muito fácil para qualquer correspondente internacional perder esse vínculo com o telespectador.
O conselho que sempre dou a quem está iniciando na carreira é nunca perder a capacidade de desconfiar das informações e perseguir a correção e exatidão na informação. Outra boa dica para os novos tempos de jornalismo e internet: o “copy and paste”, versão moderna do velho “gilette press” não substitui a apuração. Jornalista de verdade não apura no computador. Apura na rua.

O que você tem desejo de realizar em sua carreira ainda?

Meu desejo é o mesmo de sempre: contar boas histórias e jogar luz sobre assuntos que estão aí e que precisam ser discutidos.

Você usa seu twitter para postar dicas de telejornalismo para seus seguidores, como tem sido a resposta deles?  O seu plano é lançar um livro com essas dicas, já tem previsão de quando vai estar pronto?

A resposta é boa. Com 13 mil amigos me seguindo, estou em listas de quase 1000 pessoas. Além disso, mais de 96% das pessoas que me seguem acessaram o twitter nos últimos 10 dias. Isso quer dizer que a audiência é qualificada. Meu interesse é manter contato com estudantes e jornalistas iniciantes. Acho que é um bom uso para essa ferramenta.

As dicas de telejornalismo vão virar livro em breve. Vou fazer uma edição independente, com venda direta para quem me segue no twitter. Será uma experiência interessante: se der certo, o custo dos livros vai cair tremendamente.

Em sua Bio no twitter, você se descreve como uma pessoa apaixonada por tecnologia e internet. Como você está vendo esse processo das redes sociais como o twitter estarem pautando muitas vezes os jornais?  Para você qual é o futuro da imprensa?

Não vejo as redes sociais como determinantes na agenda das pautas dos jornais. O privilégio da colaboração com a pauta não é exclusiva do twitter. A pauta, por definição, pode vir de qualquer lugar. Por outro lado, é claro que dá pra achar uma ou outra coisa nas redes sociais, assim como dá pra achar nas conversas nas ruas, ou em outras fontes de informação.

O importante é compreender que a tecnologia é só uma ferramenta, que pode ser poderosa, mas continua sendo apenas uma ferramenta. O que decide a qualidade da informação que será oferecida ainda são as pessoas. Nesse sentido, o futuro da imprensa continua passando pelas pessoas. Não pelas máquinas fotográficas, computadores, câmeras ou conexões de internet.

E quais as dicas que você dá para os jovens jornalistas que estão chegando ao mercado de trabalho?

Prepare-se para uma profissão onde se trabalha muito, se ganha pouco, se tem poucas oportunidades nos grandes centros e um campo vastíssimo de trabalho no interior. Prepare-se também pra ficar muito feliz com o que você faz, se você realmente gostar de jornalismo.

Assista uma reportagem de Flavio Fachel:

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7 comentários sobre “Flavio Fachel – jornalista da Rede Globo fala como chegou lá

  1. Muito boa a entrevista, Gederson. Saiu do comum e nos revelou um profissional interessante de se conhecer. parabéns.

  2. Parabens pela entrevista! Reitero o conselho de Fachel: “(…)nunca perder a capacidade de desconfiar das informações e perseguir a correção e exatidão na informação.”

  3. Muito legal esta reportagem, parabéns Flávio Fachel, sou doido para ser correspondente da Globo, em Nova York. Estou cursando o 2º ano do ensino médio, queria cursar comunicação, para ter uma chances dessas como você. Parabéns! Gosto muito da Globo, vejo vc no Jornal Hoje, Nacional.

  4. Estou querendo cursar comunicação na unb em Brasília mas acho que posso ter mais chances em cidades do interior. Mesmo assim pretendo prosseguir pois é disso que gosto!

  5. Eu curso o 1° ano do ensino médio,e sonho ser jornalista e trabalhar como correspondente em nova york.Gosto de escrever,conversar,falar,e mostrar outro ponto de vista para as pessoas.Obrigada pelas dicas.Parabéns…

  6. Fachel, a matéria que fêz sobre os Evangélicos, repercutiu
    valiosamente, não sería o momento para outra.
    Até porque não se divulga pela Globo trabalhos dos Evangélicos,

    Parabens

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