Unileste-mg recebe o cineasta Joel Zito de Araújo com o filme Cinderelas, lobos e um príncipe encantado

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Com sala cheia, o premiado diretor e pesquisador Joel Zito Araújo foi recebido pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste-MG), para uma mostra de cinema comentado, na última terça-feira (07/04/10).

O evento foi conseqüência da parceria entre o Grupo de Estudos Multidisciplinares Consciência Negra, a Thema – Programas e Projetos Alterativos e a Coordenadoria de Extensão do Unileste.

O Teatro João Paulo II, foi o espaço escolhido para a exibição do documentário.

Filme

Trailer

 

Um documentário dirigido por Joel Zito que traz um retrato da cruel realidade das meninas que vivem a exploração sexual no Brasil. Faz um paralelo entre as garotas que desde muito jovens se prostituem, as mulheres que vêem no relacionamento com estrangeiros uma forma de acederem financeiramente e outras mulheres que se casaram com estrangeiros e vivem com seus maridos na Europa.

As garotas de programa

São exibidos depoimentos de garotas negras que moram no interior da Bahia e que muitas vezes além de se prostituírem se envolvem com drogas o que acaba criando um ciclo difícil de desfazer. O turismo sexual no Brasil também alimenta redes de boates, motéis e pousadas nos litorais nordestinos. Estes são alguns dos pontos aprofundados no documentário.

A esperança de casamento e a exploração sexual

Outra particularidade apresentada no filme é o fato de muitas mulheres verem no relacionamento com os clientes a esperança de alcançar o casamento, muitas delas se apaixonam e têm o sonho de serem levadas para a Europa como esposas e nutrem o sonho de poderem ajudar às famílias aqui no Brasil, porém muitas vezes este sonho se torna um pesadelo. Algumas delas são levadas com a promessa de casamento, contudo são aprisionadas e se tornam propriedade de boates do sexo, chegando a sofrerem torturas.

O contexto econômico no negro no Brasil

A apresentação do contexto sociológico e econômico em que estas mulheres estão inseridas demonstra a fragilidade da condição humana e principalmente do negro no Brasil. Para a maioria das mulheres entrevistadas no filme a única alternativa de emprego seria a de empregada doméstica “na casa de brancos”, lamentam. Nestes empregos não ganhariam mais de um salário mínimo, elas alegam que com este salário passariam fome e não seriam capazes de manter aluguel e filhos, já que muitas delas têm na história uma gravidez precoce onde os pais não assumiram os filhos.

O Conto de fadas

Foram apresentados, no filme, casos de mulheres que realmente se casaram e  construíram família com estrangeiros conquistando o sonho de viverem na Europa.

Joel Zito afirma que não coube a ele julgar se todas estas mulheres estão certas ou erradas ele levantou questionamentos sobre as escolhas que elas poderiam ter relacionando a condição delas com as políticas públicas de erradicação à exploração sexual “Não adianta tentar mudar essa situação dando aulas de artesanato ou ensinando essas meninas a pintar as unhas de madames, o que tem que ser feito é dar a elas a possibilidade real e ascensão econômica” afirmou Joel Zito.

A imagem do Brasil lá fora

O filme aponta alguns dos principais problemas vivenciados pela nossa sociedade que tem como conseqüência a exploração sexual. Demonstra que muitas vezes o Brasil é exposto, até mesmo por campanhas governamentais, de forma muito caricata o que nutre a idéia de o Brasil ser um país onde existem apenas: futebol, praias, carnaval e principalmente um país onde todas as mulheres são fáceis. Alguns turistas declaram que a imagem do Brasil na Europa é de um país onde existe “o sexo fácil”. Eles declaram que para um homem europeu que vem ao Brasil sozinho o único objetivo é o sexo. Em depoimento um italiano afirma que, por mais que a mulher brasileira seja honesta, na Itália, quando elas se identificam como brasileiras logo são vistas como prostitutas independentemente da conduta delas.

O papel do comunicólogo

Esta imagem denegrida do Brasil é cada vez mais reforçada com campanhas publicitárias que traduzem de forma tão simplória as nuances da cultura brasileira. Esta crítica trazida pelo filme traz a tona uma reflexão a nos profissionais e estudantes de comunicação. Por isso então questionamos aqui no FONTECOM: qual  responsabilidade temos, enquanto formadores de opinião, na construção da imagem internacional do Brasil?

Por Jordane Rodrigues

 

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Joel Zito de Araújo, quem é?

 

Cineasta e pesquisador mineiro, Nascido em 1954 na cidade de Nanuque, é doutor em Ciências da comunicação pela Escola de Comunicações e Arte da Universidade de São Paulo – ECA/USP e fez pós-doutorado no departamento de rádio, TV e cinema e no departamento de antropologia da University of Texas, em Austin, nos Estados Unidos onde também lecionou. Os trabalhos de Joel Zito tematizam o negro na sociedade brasileira.

Dentre os filmes dele destacam-se: São Paulo abraça Mandela (1991), Retrato em preto e branco (1993), Ondas brancas nas pupilas pretas (1995) e A exceção e a regra (1997). Em 1999, finalizou seu primeiro longa, o documentário O efêmero estado, União de Jeová. Dois anos depois, lançou A negação do Brasil, sobre a trajetória do personagem negro nas novelas brasileiras, trabalho de pesquisa que deu origem a um livro de mesmo nome. Foi escolhido melhor filme brasileiro do É Tudo Verdade daquele ano, tendo sido também selecionado pra vários festivais pelo mundo, entre eles o festival de cinema latino de Madri e o festival de documentários do Porto.

Em 2004, finalizou seu primeiro longa-metragem de ficção, Filhas do vento, que ganhou oito prêmio no festival de Gramado, entre eles: melhor filme segundo a crítica, melhor diretor, ator e atriz. Na mostra de cinema de Tiradentes, foi escolhido melhor filme pelo público e participou ainda de festivais na Índia, na França, na África do Sul.

 
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2 comentários sobre “Unileste-mg recebe o cineasta Joel Zito de Araújo com o filme Cinderelas, lobos e um príncipe encantado

  1. Adorei o treile do filme, pena não poder ter ido, queria que a coordenadora do curso passasse ele também de manhã, vendo parte do longa me deu muita vontade de vê-lo

  2. Questionamentos como os levantados pelo cineasta não só são relevantes como também cumprem um papel indicutível na organização da sociedade brasileira. Embora há quem critique que esse tipo de obra cria uma imagem negativa internacionalamente não se pode simplesmente tapar o sol com a peneira. Todos os países, sobretudo os mais pobres,sofrem desse tipo de disturbio na sociedade.

    Não se pode ignorar a existencia não só da exploração sexual como também de tantos outro problemas sociais enfretados pelo país. Questionar é um importante passo para a mudança e se houver pressão política internacional mais rápida serão essas mundanças. Cabe à imprensa e à mídia em geral levantar, criticar e evidenciar os aspectos precários da sociedade e cabe aos cidadãos e aos
    seus representantes propor medidas para resolver tais problemas.

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